Apresentação

O XXIV Encontro SOCINE será realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021. O evento terá como tema central “Desafiar a gravidade: incertezas, trânsitos e rumos para quedas”, refletindo sobre as transformações constantemente enfrentadas por todos que pesquisam ou trabalham com cinema e audiovisual. O encontro acontecerá no formato on-line, através da plataforma de vídeo conferência Zoom, e contará com a apresentação de aproximadamente 600 pesquisadores e profissionais da área do cinema e audiovisual.

Desafiar a gravidade: incertezas, trânsitos e rumos para quedas.

Todos conhecem a história: enquanto observava a lua e pensava no que a mantinha no céu, Newton viu uma maçã cair do seu pomar. Compreendeu, então, que a lua não estava suspensa e estática, mas que caía continuamente.

Mais tarde, Einstein propôs que a gravidade seria responsável por regular o movimento de objetos inertes.

Para a cosmologia, a gravidade é o que faz com que a matéria dispersa se aglutine, e, uma vez aglutinada, se mantenha intacta. É isso que permite a existência da maior parte dos objetos que conseguimos ver no universo.

Do ponto de vista prático, é mais simples: a gravidade é a força que dá peso às coisas na Terra e faz com que caiam ao chão.

Estamos em queda. Não pela força da gravidade apenas, mas pela gravidade das coisas. Pelo peso de estarmos parados, confinados, isolados e inertes diante de um dos momentos mais graves da história, agravado, ainda, por outras forças que também exigem uma enorme resistência.

Estamos em queda, diante das incertezas do Audiovisual, que procura diferentes formas de viabilizar a criação e a produção de novas obras, enquanto vê o público crescer por múltiplos mercados e plataformas. Que, no Brasil, é atacado mesmo ocupando a quinta posição no ranking das atividades economicamente mais relevantes do país.

Caímos até mesmo nas falhas de conexão de internet. “Você está mutado!”, “estão me ouvindo?”, “está travando um pouco, melhor desligar o vídeo”. Telas desligadas, na iminência da queda, em aulas que também tiveram que buscar outros meios.

Como alerta Ailton Krenak em Ideias para adiar o fim do mundo: “Isso é um abismo, isso é uma queda. Então a pergunta seria: ‘Por que tanto medo assim de uma queda se a gente não fez nada nas outras eras senão cair?’ Já caímos em diferentes escalas e em diferentes lugares do mundo. Mas temos muito medo do que pode acontecer quando a gente cair. Sentimos insegurança, uma paranoia da queda porque as outras possibilidades que se abrem exigem implodir essa casa que herdamos, que confortavelmente carregamos em grande estilo, mas passamos o tempo inteiro morrendo de medo. Então, talvez o que a gente tenha de fazer é descobrir um paraquedas. Não eliminar a queda, mas inventar e fabricar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos”.

Foi o movimento que nos trouxe até aqui: o movimento dos frames, dos quadros, tirados de sua estabilidade quando colocados juntos. A palavra Cinema, irmã da Cinemática, da Cinética, e, hoje, em trânsito, como sempre esteve, mutante. Transitamos do mudo para o sonoro, do preto e branco para o colorido, do analógico para o digital. Mais mutações e maravilhas.

Quando a Alice de Carroll cai no buraco do coelho ela adentra outros mundos, outros possíveis narrativos, outras lógicas. Uma espécie de transe que nos prepara pra um transitar entre esses mundos, em constante queda. O trânsito e a transitoriedade são a própria experiência da queda, eternamente ressignificada. A experiência de quem narra – e também de quem frui as múltiplas narrativas – em múltiplas telas, múltiplas identidades.

Enquanto caímos, caem também muitos dos padrões e normas que não nos servem mais e que precisamos abandonar. Essa queda, por sua vez, revela não apenas a urgência de diversos rumos, mas rostos, vozes e narrativas outrora ignorados e oprimidos.

Na aviação, costuma-se dizer que o voo de uma aeronave é uma queda controlada de um ponto de partida a um determinado destino.

Propomos, então, reflexões sobre possíveis rumos para fazer, pensar e ensinar audiovisual. Sem deixar que a velocidade das coisas nos impeça de ver o que acontece, mas aproveitando o movimento.

Para terminar, lembramos as palavras de Fernando Sabino em Encontro Marcado: “Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro”.

Que possamos procurar juntos nesse próximo encontro da Socine.

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AGENDA

CREDENCIAMENTO

Disponível pelo site a partir de 24/09

FESTIVAL BETA

Sessões de curtas online
a partir de 04/10

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Premiação dia 29/10

SEGUNDA – 25/10

15h – Pré-SOCINE
(Exibição de filme e debate)

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19h – Sessão de Abertura

TERÇA 26/10

09h – Apresentação das comunicações

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10h15 – Intervalo

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10h45 – Apresentação das

comunicações

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12h – Almoço

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14h30 – Apresentação das comunicações

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15h45 – Intervalo

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16h15 – Apresentação das comunicações

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19h – Sessão de Homenagem

QUARTA 27/10

09h – Apresentação das comunicações
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10h15 – Intervalo
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10h45 – Apresentação
das comunicações

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12h – Almoço
 

14h30 – Apresentação
das comunicações

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15h45 – Intervalo
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16h15 – Apresentação
das comunicações

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19h – Fórum discente

QUINTA 28/10

09h – Apresentação
das comunicações

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10h15 – Intervalo

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10h45 – Apresentação
das comunicações

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12h – Almoço

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14h30 – Apresentação
das comunicações

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15h45 – Intervalo

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16h15 – Apresentação
das comunicações

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19h – Mesa Cinemateca

SEXTA 29/10

09h – Apresentação
das comunicações

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10h15 – Intervalo

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10h45 – Apresentação
das comunicações

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12h – Almoço

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14h30 – Apresentação
das comunicações

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15h45 – Intervalo

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16h15 – Assembleia SOCINE

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Cada sessão tem 1h15, com intervalos de 30min e almoço de 2h30. As sessões deste ano são menores, porque as apresentações diminuíram de 20min para 15min cada.

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